
Um amigo tinha uma banda, e ia tocar la em brasilia.
Me chamou pra ir, eu adorei a ideia, passear por aí, conhecer brasília e ainda por cima com uma banda de rock. Tudo.
Arrumei a necessaire, escovas, leave-ins, shampoos, condicionadores, mascaras, esmaltes, acetona, pinça, toda a parafernália que sempre me acompanha e pegamos a estrada, só felicidade.
Lá, ficamos hospedados no apê de um figurão, aqueles apartamentos gigantes, e a coisa ia bem. Na primeira noite já caímos na farra, bares animados, música, festa, caipirinha, tudo o que eu gosto.
Pra me deixar mais feliz ainda, meu cabelo estava ótimo, tinha lavado nesse mesmo dia antes de pegar a estrada, feito uma escova decente, tava tudo uma maravilha.
Mas no dia seguinte...bom, no dia seguinte, depois de andar o dia todo para conhecer a cidade, voltamos pro apê do cara e a noite prometia mais gandaia que a anterior.
Animada, entrei no banho feliz da vida, usei até máscara da kerastase.
Saí do banho, siliconinho, perfuminho, e quando já ia tirar a toalha da cabeça pra fazer a escova, começo a procurar o secador.
E procura aqui, e ali, e na mala, e na necessaire de king kong, e nada.
E pede pra sao longuinho, e nada.
Aí, telefonei pra minha mãe. Vejam bem, interurbano de brasília pra sao paulo pra saber se o secador tinha ficado em casa.
Sim, ele ficou.
Ah, nessas horas a gente senta na cama com cara de mulher que acabou de parir, cara de o mundo acabou.
A vontade que eu tinha era de sair voando pela janela que nem uma pomba, achar uma casas bahia e roubar um secador com o bico e trazer de volta pela janela, tudo pra não ter que sair do quarto pela porta com o cabelo arrasado e dar de cara com 5 homens de uma banda de rock em idade reprodutiva.
Aí começou a saga. Pensei que no apartamento do andar de cima deveria ter alguem que tivesse um secador.
Sim, eu ia bater no apartamento de um desconhecido e pedir um secador emprestado.
Mas quem iria atender a porta? e se fosse um homem? ou uma idosa? será que alguem ia me emprestar? sera que alguem ia ter secador em casa? Será que alguém ia me entender?
Fiquei um tempão no quarto esperando os 5 homens em idade reprodutiva pararem de falar de música para poder passar pela sala; e olha que isso não foi fácil, quando um saía da sala o outro voltava.
Fazer o que? fiquei lá um tempão monitorando os meninos pela fresta da porta, e quando finalmente saíram todos, passei correndo, saí do apê, subi um lance de escadas pra ir mais rápido e toquei a campainha.
Apareceu uma doméstica de aventalzinho, e eu:
_moça, estou no apartamento do andar de baixo, e meu secador quebrou. Você pode me emprestar um secador?
_secador? hum, eu não tenho secador não.
_sei moça, mas e a dona da casa? não tem um secador?
_olha, eu não sei não.
Putz, essas horas já comecei a desesperar.
Mais um lance de escadas, e outra campainha.
E outra empregada, e a mesma história, não sabia se tinha secador em casa.
No terceiro apartamento que visitei, como a terceira empregada também não sabia se tinha ou não secador na casa, parti pra ignorância:
_tá bom moça, pode me emprestar o ferro de passar roupa então?
Voltei para meu quarto com o wallita gigante na mão, e sim, tive que me submeter a comédia de esticar o cabelo na cama e passar o ferro pra ver se dava um truque.
A visão era tosca, o quarto não tinha chave, coloquei um móvel atrás da porta porque realmente nenhum homem pode ver isso nunca: uma garota de quatro no chao, com a cabeça na cama passando ferro de passar roupa no cabelo com um fumação subindo.
Ok, o efeito não foi dos melhores, o cabelo ficou meio esticado, bem coitado mesmo, mas pelo menos dava pra disfarçar.
Pedi o ferro emprestado para a mesma moça em todos os outros dias que fiquei em brasilia.
No final, já estava até pegando as manhas de usar ferro na cabeça.
Só tomando muita tequila pra desencanar.
Vixe!